Star Red


A missão de Marcos Pontes – 

um grande marco para a missão espacial completa brasileira

     
 


Pela primeira vez um brasileiro chega ao espaço orbital terrestre. Isso representa muito para a ciência, a economia do Brasil e o povo brasileiro. Não apenas por ser o ten.-cel. Marcos Pontes o primeiro tupini-quim a chegar ao espaço, mas pelo fato deste ser um pioneiro da humanidade.

Por outro lado, desde que foi confirmada sua viagem, surgiu uma enxurrada de críticas negativas, aludidas a: necessidade, preço ou utilidade de tal empreendimento. Contudo, o mais preocupante refere-se a que boa parte dessas recriminações originou-se no meio acadêmico, que vem demonstrando não conhecer o programa espacial brasileiro, suas origens, sua importância ou suas conquistas.

Ora, chegou-se ao mau gosto de comparar o deslocamento do astronauta Marcos Pontes, a uma viagem de carro para o interior do Estado de Goiás, ou a um passeio de avião. Resta claro o desconhecimento por parte desses acadêmicos que parte da Estação Espacial Internacional está sendo construída no Brasil.

A origem do Programa Espacial Brasileiro remonta a 1946, com o advento da criação do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), sendo que desde 1961 (isso mesmo, há mais de quarenta e cinco anos), o Ministério da Aeronáutica vem dedicando especial atenção para a área espacial, o que culminou em 1969 com a criação do Instituto de Atividades Espaciais (IAE), vinculado ao CTA, e em 1971, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que atualmente pertence ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que segue encarregado do desenvolvimento das pesquisas espaciais no âmbito civil, de acordo com orientação recebida da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (Cobae). Menos de 18 anos após o surgimento dos primeiros grupos destinados a implantar no País um programa espacial, foi aprovada pelo governo federal, a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB).

Desde então, o Brasil:
– Passou a ser um dos 16 países que integram o projeto da International Space Satation (ISS), por meio do desenvolvimento e produção de equipamentos de vôos e cargas úteis. Como parte das atividades relativas à Estação Espacial, a AEB selecionou, em 1998, o primeiro brasileiro candidato a astronauta, o ten.-cel. Marcos Pontes.

– A construção em conjunto com a China, de dois satélites de sensoriamento remoto, sendo o primeiro com tecnologia 30% nacional e o segundo, com 50%.

– Construiu e colocou em órbita dois satélites de coletas de dados, o SCD1 (1993) e o SCD2 (1998), fabricados com tecnologia 100% nacional, que são abastecidos por informações enviadas por 500 plataformas de coletas de dados espalhadas por todo o território nacional (visando aplicações de interesse agrícola e ambiental).

– Desenvolve uma plataforma de satélite multimissão que servirá de base para o satélite nacional de Observação da Terra SSr-1.

– Desenvolve um satélite geoestacionário, com fins de telecomunicação e navegação através de GPS.

– Realiza desenvolvimento de microssatélites científicos em regime de parceria com a França, longe de discutir questões orçamentárias, de geopo-líticas ou concernentes ao Direito Internacional Público, fomos obrigados a escutar de um cosmonauta russo, que seu colega latino-americano estaria fazendo “mero turismo”. Ainda bem que, como político, esse cidadão é um bom astronauta, pois ignora o fato do Brasil fazer parte da equipe que projeta e constrói a Estação Espacial, e de que a presença do Marcos Pontes, além de ser pertinente a objetivos geopolíticos do Brasil, decorre da aquisição por parte de nosso país, ao direito em enviar cargas e pesquisa-dores para a ISS.

Da mesma maneira, ouvir de acadêmicos, que nosso astronauta “mal teria saído da Terra”, equipara-se às críticas sofridas por Santos Dumont, quando o mesmo percorreu “apenas” sessenta metros de distância em seu primeiro vôo.

Hodiernamente questões relativas ao uso do espaço orbital terrestre chega a superar em importância as pontuações a respeito do desenvolvimento e do uso da energia nuclear, que hoje serve aos estudos relacionados à exploração espacial. Quando o Brasil partiu para o domínio completo do ciclo do átomo, igualmente não faltou quem criticasse. Os ganhos do Brasil com seu projeto espacial atingem a todos os brasileiros, contudo, isso restará demonstrado em nosso próximo artigo.



Escrito por Star Red às 05h39 AM
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As investigações paradas

Escrito por Star Red às 12h21 PM
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Verticalizacão, uma guerra de cuspo
     
 


Cuspir, xingar e jogar pedra é fácil. Qualquer menino sabe, e os pratica com a usualidade de quem não tem outros recursos. Quando criança, me lembro bem, esta era a escala que se usava para qualquer combate, dependendo da distância do alvo e do estrago que se pretendia causar. Com o adversário bem perto, o cuspo tinha poder ofensivo imprevisível: além de sujar o inimigo, muitos outros efeitos poderiam ocorrer, a partir de uma troca de tapas ou simplesmente o agredido ir embora fedendo a ptialina esfregada na cara. À média distância, chingar a mãe do desafeto o magoava e quase sempre ficava por isso mesmo, pelo uso de "pernas pra que te quero". Jogar pedra, essa sim, podia acabar em vergão nas costas ou alguma janela aos cacos de vidro. Mas não passava disso.

Por mais que eu queira levar a sério o vulto que pretendem dar aos episódios republicanos entre Legislativo e Judiciário, não consigo. Vejo-os como recursos de mídias. Dos que nelas querem aparecer e dos que delas fazem profissão: aos últimos dou o benefício da dúvida para evitar o pensamento de que tudo que deles sai tem a marca do preconcebido. O melhor de mim oscila para a vertente da pressa que o tempo real impõe aos que trabalham com a informação. Os fatos são poucos para preencher as 24 horas de cada dia de notícias: por isso passam a enxergar o que não viram. A principal ocorrência disso fica na hipótese de assunto que depende de investigação, e esta não ser feita ou, se feita, fora das cautelas necessárias. E como acontece. Menos sérios, ainda, aqueles que utilizam os meios de comunicação para torcer a verdade. E são abundantes.

Apenas um caso concreto, dos inúmeros projetados como possíveis de quebrar a independência e harmonia entre os Poderes, o da verticalizacão – ou seja, as coligações partidárias regionais obedecerem as realizadas nacionalmente –, serve para o meu convencimento de que a democracia não se abala quando cada um deles decide nos limites de suas funções. Foi assim que aconteceu. O Superior Tribunal Eleitoral manteve a verticalizacão para as eleições deste ano. O Congresso Nacional, de forma contrária, por Emenda Constitucional, a de número 52, legislou divergindo do TSE: gerando sério conflito de interpretação. Nisso, a Ordem dos Advogados do Brasil inquinou de inconstitucional a emenda e requereu que o Supremo Tribunal Federal – o único autorizado pela Constituição Federal a falar sobre a matéria – desse a exegese. A decisão do Supremo considerou válida e em vigência a emenda, mas determinou que a quebra da verticalizacão só tenha aplicação depois das eleições de 2006. Salvou-se o princípio da anualidade de lei eleitoral em nome da segurança jurídica.

O bom senso imperou durante a guerra que foi de cuspo. Pelas mídias cuspiram para o alto e não saíram de baixo. Deu em nada – a não ser o mau cheiro de ptialina nas cabeças levianas das Cassandras sempre voltadas para os casuísmos. Instituições democráticas passam ao largo de ações pueris.


Escrito por Star Red às 11h05 AM
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